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Gregas de forma simples (Delta, Gamma, Theta, Vega)

As gregas de opções explicadas de forma simples: Delta, Gamma, Theta e Vega, o que cada uma mede e como usá-las na prática.

deltagammathetavegadias até o vencimento →
Gregas de Opções
O que sãoMedidas de sensibilidade do preço da opção a diferentes fatores de mercado
Principais gregasDelta, Gamma, Theta, Vega (e Rho, menos citada no dia a dia)
Onde encontrarDireto na plataforma de negociação, sem necessidade de cálculo manual
Mais usada no dia a diaDelta
Básico

O que são as gregas

Imagine o painel de instrumentos de um carro. O velocímetro mostra a velocidade atual; o conta-giros mostra o quão rápido essa velocidade está mudando; o marcador de combustível mostra quanto resta antes de acabar. Cada instrumento isola uma informação diferente sobre o mesmo carro.

As gregas fazem o mesmo pelo preço de uma opção: cada uma isola a sensibilidade desse preço a um fator específico — o preço do ativo, a passagem do tempo, a volatilidade do mercado ou a taxa de juros. Em vez de tentar entender tudo de uma vez, você olha uma grega de cada vez e sabe exatamente o que ela está te dizendo.

As cinco gregas

GregaO que medeComportamento na CallComportamento na Put
DeltaSensibilidade ao preço do ativoPositivo (entre 0 e 1). Se aproxima de +1 quando a call fica bem "dentro do dinheiro" (ITM)Negativo (entre -1 e 0). Se aproxima de -1 quando a put fica bem ITM
GammaTaxa de variação do próprio DeltaPositivo para quem está comprado. Máximo quando o preço do ativo está próximo do strike (ATM)Positivo para quem está comprado. É idêntico ao Gamma da call de mesmo strike
ThetaPerda de valor da opção conforme o tempo passa (decaimento temporal, por dia)Geralmente negativo para o comprador — a opção perde valor com o passar dos diasGeralmente negativo para o comprador; em casos específicos (put muito ITM, combinada com juros bem altos) pode ser positivo — um efeito atípico, mais presente no Brasil justamente pela Selic historicamente elevada
VegaSensibilidade à volatilidade implícitaPositivo para o comprador — mais volatilidade aumenta o valor da opçãoPositivo para o comprador. É idêntico ao Vega da call de mesmo strike
RhoSensibilidade à taxa de jurosPositivo — juros mais altos aumentam o valor presente do direito de comprarNegativo — juros mais altos reduzem o valor presente do direito de vender

Dois pontos que ajudam a fixar a tabela:

  • Gamma e Vega são idênticos entre call e put de mesmo strike e vencimento — isso decorre da paridade put-call, sem precisar entrar na fórmula matemática aqui.
  • Rho costuma ser a grega menos citada no dia a dia, por ter impacto pequeno em prazos curtos, ganhando relevância principalmente em cenários de Selic muito alta ou opções de vencimento longo.

Delta na prática: uma probabilidade aproximada

A forma mais rápida de entender o Delta: pense nele como uma probabilidade aproximada de a opção terminar dentro do dinheiro (ITM) no vencimento. Um Delta de 0,60 sugere algo perto de 60% de chance de exercício — não é uma probabilidade exata, mas uma leitura de mercado que ajuda a dimensionar o risco de cada operação rapidamente.

Na prática, o Delta também mede quanto a opção acompanha o ativo: uma opção com Delta de 0,60 deve variar aproximadamente R$ 0,60 para cada R$ 1,00 de movimento do ativo-objeto. Se PETR4 sobe R$ 1,00, essa opção tende a subir cerca de R$ 0,60 — não R$ 1,00 cheio, porque parte do movimento ainda não está "capturada" pela opção.

Gamma: o acelerador da posição

Se o Delta mostra a velocidade atual da opção, o Gamma mostra o quão rápido essa velocidade está mudando — é o "acelerador" da posição. Uma opção bem fora do dinheiro (OTM) pode ter um Delta baixo, de 0,25 por exemplo, mas se o ativo se aproximar do strike, esse Delta pode saltar para 0,75 ou mais em pouco tempo — o Gamma é o que determina a rapidez dessa mudança.

Isso importa principalmente para quem compra opções bem fora do dinheiro esperando um movimento forte: o Gamma alto é o que torna possível uma opção "barata" virar uma posição de alto valor rapidamente se o ativo se mover na direção certa.

Vega e os gatilhos de volatilidade no mercado brasileiro

O Vega mede o quanto o preço da opção reage a mudanças na volatilidade implícita — independentemente de o ativo ter se movido ou não. No mercado brasileiro, os gatilhos mais comuns de disparo de volatilidade (e, portanto, de Vega) são eventos como decisões do Copom e divulgação de balanços trimestrais: mesmo sem o ativo se mexer imediatamente, a expectativa em torno desses eventos costuma inflar os prêmios das opções antes da data, e "esvaziar" logo depois que a incerteza se resolve.

Theta acelera perto do vencimento

O decaimento temporal medido pelo Theta não é linear: ele se acelera conforme o vencimento se aproxima — e essa aceleração fica especialmente forte na janela entre 45 e 21 dias antes do vencimento, período em que muitos operadores avaliam fechar ou rolar posições justamente para evitar o trecho mais agressivo da curva de decaimento.

Na prática: uma opção que perde R$ 0,05 por dia de Theta quando faltam 30 dias para o vencimento pode passar a perder R$ 0,15 ou mais por dia quando faltam apenas 5 dias — mesmo sem nenhuma mudança no preço do ativo ou na volatilidade.

Aprofundamento
dias até o vencimento →valor de tempo
Faixa destacada: janela de 45 a 21 dias, decaimento mais agressivo

Delta por faixa de moneyness

Posição da opçãoDelta aproximado (Call)Delta aproximado (Put)
OTM (fora do dinheiro)Perto de 0Perto de 0
ATM (no dinheiro)Perto de +0,50Perto de -0,50
ITM (dentro do dinheiro)Converge para +1,00Converge para -1,00

Delta como exposição sintética

Uma forma prática de explicar o Delta pra quem já investe em ações: possuir uma ação equivale a ter Delta +1,00 — 100% exposto à variação do ativo, ponto a ponto. Uma opção, em comparação, tem exposição não-linear: seu Delta muda continuamente conforme o preço do ativo se move — esse é justamente o papel do Gamma.

Esse conceito é a base do que formadores de mercado chamam de hedge Delta-neutro: ao vender uma opção, uma mesa de operações costuma comprar (ou vender) uma quantidade do ativo-objeto equivalente ao Delta da posição, pra neutralizar a exposição direcional líquida. Conforme o Delta da opção muda (via Gamma), a mesa precisa reajustar essa posição no ativo continuamente — é esse rebalanceamento constante que sustenta boa parte da liquidez do mercado de opções.

Gamma e Theta andam juntos

Vale notar que Gamma e Theta costumam se mover na mesma direção: opções com Theta mais alto (decaindo mais rápido) também tendem a ter Gamma mais alto — normalmente as opções ATM perto do vencimento. Isso não é coincidência: é justamente porque pouco tempo resta que o preço do ativo passa a ter um efeito desproporcional sobre o Delta (Gamma alto), e é também esse pouco tempo que faz o valor extrínseco evaporar rápido (Theta alto). Entender essa dupla ajuda a explicar por que posições vendidas ficam mais arriscadas justamente no momento em que parecem mais atraentes pelo Theta.

Exemplo prático: venda de PUT com Delta baixo

Um uso comum entre operadores: ao vender uma PUT como estratégia de renda, escolher um strike abaixo de um suporte relevante no gráfico e conferir o Delta dessa opção. Um Delta de aproximadamente 0,16 (às vezes descrito como "Delta 16") sugere uma probabilidade de exercício em torno de 16% — próximo de 1 desvio-padrão de distância do preço atual, na linguagem estatística. Isso ajuda o operador a ponderar se o prêmio recebido compensa esse risco de ser exercido.

Gamma como risco para quem vende opções

Assim como o Gamma acelera ganhos para quem compra, ele também acelera perdas para quem vende — esse é o chamado risco de Gamma, mais crítico justamente nas semanas próximas ao vencimento, quando pequenas oscilações do ativo podem causar variações bruscas no resultado da posição vendida.

Gregas de segunda ordem

Além das cinco gregas principais, existem gregas de "segunda ordem" — como Vanna, Charm e Volga (ou Vomma) — usadas principalmente por fundos e formadores de mercado para rebalancear carteiras grandes de forma dinâmica. Não são necessárias no dia a dia do investidor pessoa física, mas vale saber que existem.

Perguntas frequentes

Qual grega eu preciso entender primeiro?
Delta. É a mais intuitiva (mede o quanto a opção acompanha o ativo) e a mais usada no dia a dia, inclusive como aproximação da probabilidade de a opção terminar dentro do dinheiro.
Por que Gamma e Vega são iguais para call e put de mesmo strike?
Isso decorre da paridade put-call: para o mesmo ativo, strike e vencimento, call e put estão matematicamente amarradas, o que faz essas duas gregas coincidirem.
Theta é sempre negativo?
Para quem compra a opção, geralmente sim — o tempo trabalha contra o comprador. Para quem vende, o Theta trabalha a favor na maioria dos casos.
Preciso calcular as gregas manualmente?
Não. Praticamente todas as plataformas de negociação e home brokers exibem as gregas de cada opção em tempo real — o importante é saber interpretar os números.

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Escrito por

Equipe Editorial Portal das Opções

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