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Quanto Custa Operar Opções na B3

Os custos reais de operar opções na B3: taxa de negociação, liquidação e registro para quem compra ou vende em tela, e o custo — bem mais alto — de exercer a opção.

Tipo de custoQuem cobraQuando se aplicaTaxa (pessoa física)Base de cálculo
Negociar em telaB3Comprar ou vender a opção antes do vencimento0,1340%Valor do prêmio
Exercer a opçãoB3Usar o direito da opção~0,022% a 0,030%Valor financeiro das ações ao strike
Processamento de exercícioCorretora (varia)Exercício, em algumas corretorasReferência: ~0,5% + taxa fixaValor financeiro das ações ao strike
CorretagemCorretora (varia)Toda operaçãoVaria, pode ser zero no appDefinida pela corretora
Básico

Dois tipos de custo bem diferentes

Operar opções na B3 envolve custos de origens diferentes — e é fácil confundir o que vem da bolsa com o que vem da corretora. Separar isso evita surpresas na nota de corretagem.

Negociar em tela (comprar ou vender a opção no mercado, sem chegar ao exercício) usa uma tabela própria de opções: para pessoa física, a taxa total é de 0,1340%, cobrada sobre o valor do prêmio da opção. Essa taxa já soma três componentes cobrados pela B3: negociação, liquidação e registro — igual em qualquer corretora.

Exercer a opção é tarifado de forma diferente pela B3: cobrado como se fosse uma operação comum de compra ou venda das ações, com taxa de cerca de 0,022% a 0,030% — mas aplicada sobre o valor financeiro total das ações ao preço de strike, não sobre o prêmio. Como esse valor costuma ser muito maior que o prêmio da opção, o custo em reais do exercício tende a ser desproporcionalmente mais alto.

Exemplo simples: um lote de 100 opções com prêmio de R$ 1,50 cada (R$ 150 no total) tem custo de negociação de cerca de R$ 0,20. Se essas mesmas opções forem exercidas, com strike de R$ 30,00 (R$ 3.000 de valor financeiro nas ações), o custo do exercício — só da tarifa da B3 — fica entre R$ 0,66 e R$ 0,90.

A conta não para na B3

Além da tarifa oficial da bolsa, algumas corretoras aplicam uma tabela própria adicional para processar exercícios — às vezes chamada de "Tabela Sinacor" ou "Tabela Bovespa" em fóruns, com percentuais bem mais altos (referências comuns giram em torno de 0,5% mais uma taxa fixa, sempre sobre o valor financeiro das ações). Esse valor não vem da B3 e varia de corretora para corretora — trate qualquer número específico só como referência, e confirme direto na tabela da sua corretora antes de deixar uma opção ir a exercício.

A corretagem em si também é definida pela corretora, não pela B3. Muitas oferecem corretagem zero para ordens enviadas pelo aplicativo ou home broker — mas ordens enviadas por telefone ou pela mesa de operações costumam usar uma tabela fixa, historicamente bem mais cara.

Aprofundamento

Detalhamento da taxa de negociação (pessoa física)

ComponentePercentual
Negociação0,0370%
Liquidação0,0275%
Registro0,0695%
Total0,1340%

Fundos e clubes de investimento locais têm uma tabela reduzida (total de 0,0950%) — não é o caso da maioria dos leitores deste portal, mas vale saber que a taxa não é universal entre tipos de investidor.

Faixas progressivas para day trade

Quem opera volume alto de opções no mesmo dia (day trade) tem taxa regressiva conforme o volume diário cresce:

Volume diário (R$ milhões)Taxa total
Até 0,80,0450%
De 0,8 até 2,50,0410%
De 2,5 até 50,0350%
De 5 até 100,0290%
Acima de 100,0260%

Essas faixas são aplicadas de forma regressiva sobre o prêmio da operação — quanto maior o volume do dia, menor a taxa marginal.

Como o exercício é tarifado pela B3, na prática

O exercício de opções sobre ações, ETFs e BDRs é cobrado com a mesma tabela usada para compra e venda comum de ações à vista — a taxa varia entre aproximadamente 0,0225% e 0,0300%, dependendo do volume médio diário negociado (ADTV) pelo investidor, aplicada sobre o valor financeiro da operação (quantidade de ações × preço de strike), tanto para quem foi exercido quanto para quem exerceu.

Um detalhe pouco conhecido: o volume gerado por exercício de opções entra no cálculo do ADTV de day trade do mercado à vista do investidor — exercícios frequentes podem, na prática, empurrar o investidor pra uma faixa de taxa diferente nas suas operações de ações.

Custos se multiplicam em estruturas de várias pernas

Estratégias com múltiplas pernas — como travas, straddles ou borboletas — pagam a tarifa da B3 uma vez por perna, tanto na montagem quanto no desmonte. Uma borboleta de 4 pernas, por exemplo, gera 4 cobranças na entrada e mais 4 na saída (ou no exercício), mesmo sendo tratada como uma única estratégia do ponto de vista de risco e resultado. Isso vale mesmo quando as pernas são enviadas juntas numa boleta combinada — a boleta une o envio das ordens, não reduz o número de cobranças da B3.

Um exemplo com o Iron Condor (4 pernas): montar a estrutura já significa 4 cobranças de negociação em tela (uma por perna). Se você decidir desmontar antes do vencimento, são mais 4 cobranças. Num Iron Condor pequeno, com crédito total de R$ 80,00 por exemplo, essas 8 cobranças — mesmo sendo individualmente pequenas — podem consumir uma fatia proporcionalmente maior do resultado do que numa operação de 2 pernas do mesmo tamanho.

O peso proporcional em contas pequenas

Taxas fixas e mínimos cobrados pela B3 pesam percentualmente muito mais sobre lotes pequenos do que sobre lotes grandes. Uma operação de R$ 200 de prêmio total sente o mesmo tipo de custo fixo, proporcionalmente, de forma bem mais pesada do que uma operação de R$ 20.000 — o que pode neutralizar boa parte do ganho percentual em estratégias de prêmio baixo quando o valor financeiro total da operação é pequeno.

Outros custos que não vêm da B3

  • Corretagem: definida por cada corretora, pode ser zero no app ou fixa por ordem/via mesa — não é cobrada pela B3.
  • ISS: pode incidir sobre a corretagem, com alíquota de 2% a 5% dependendo do município.
  • Taxa de custódia: rara em ações hoje em dia, mas algumas corretoras ainda cobram por manter posições ou garantias em aberto — vale checar antes de deixar uma operação estruturada aberta por muito tempo.
  • Taxa de mesa em zeragem compulsória: se uma posição precisar ser encerrada pelo departamento de risco da corretora por falta de margem (veja Margem de garantia), a taxa cobrada por essa execução costuma ser bem mais alta que a corretagem normal — mais um motivo pra evitar chegar nesse cenário.
  • Imposto de Renda: não é uma tarifa operacional, mas incide sobre o ganho líquido — tema à parte, coberto em detalhe em Tributação e IR em opções.

Perguntas frequentes

A taxa de operar opções é igual à de ações?
Não. Negociar uma opção em tela (comprar ou vender antes do vencimento) usa uma tabela própria, com taxa total de 0,1340% para pessoa física, cobrada sobre o valor do prêmio — não sobre o valor do ativo-objeto.
Por que exercer uma opção custa mais que vender ela em tela?
Porque o exercício é tarifado como uma operação normal de compra ou venda de ações — a taxa incide sobre o valor financeiro total das ações ao preço de strike, uma base geralmente muito maior que o valor do prêmio da opção.
O que é a 'Tabela Sinacor' ou 'Tabela Bovespa' que aparece mencionada em fóruns?
Não é uma tarifa da B3 — é uma tabela de cobrança adicional que algumas corretoras aplicam especificamente para processar exercícios, geralmente bem mais alta que a tarifa oficial da bolsa. O valor varia de corretora para corretora, então trate qualquer percentual citado por aí como referência, não como regra.
A corretagem da corretora está incluída nesses percentuais?
Não. Os percentuais de negociação, liquidação e registro são cobrados pela B3 e são iguais em qualquer corretora. A corretagem é definida por cada corretora separadamente — muitas oferecem corretagem zero para ordens via aplicativo, mas ordens enviadas por telefone ou mesa de operações costumam usar uma tabela fixa bem mais cara.

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Escrito por

Equipe Editorial Portal das Opções

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