| Straddle comprado | |
|---|---|
| Também chamado de | Long Straddle |
| Como monta | Compra call + compra put, mesmo strike e vencimento |
| Fluxo de caixa inicial | Débito (você paga pra montar) |
| Cenário ideal | Movimento forte do ativo, pra qualquer direção |
| Ganho máximo | Ilimitado nas duas direções (em teoria) |
| Perda máxima | O débito total pago |
Uma aposta em movimento, não em direção
O straddle comprado é montado com duas pernas no mesmo strike e mesmo vencimento: uma call comprada e uma put comprada. Diferente das travas e do Iron Condor — que apostam numa faixa de preço ou numa direção específica — o straddle ganha se o ativo se mover bastante, pra qualquer lado.
A lógica é simples: se o ativo sobe forte, a call comprada gera o lucro (a put vira pó, mas já estava "paga" como parte do custo da estrutura). Se o ativo cai forte, é a put que gera o lucro, e a call vira pó. O que faz o straddle perder dinheiro é justamente o ativo ficar parado — nesse caso, as duas pernas perdem valor com a passagem do tempo, e a estrutura caminha pra perda máxima.
Exemplo numérico: PETR4 cotada a R$ 30,00. Você compra a call de strike R$ 30,00 por R$ 1,20 e a put de mesmo strike por R$ 1,00 — mesmo vencimento, lote de 100.
- Débito total pago: (R$ 1,20 + R$ 1,00) × 100 = R$ 220,00
- Perda máxima (se PETR4 fechar exatamente em R$ 30,00): R$ 220,00 — as duas opções expiram sem valor
- Ponto de equilíbrio inferior: R$ 30,00 − R$ 2,20 = R$ 27,80
- Ponto de equilíbrio superior: R$ 30,00 + R$ 2,20 = R$ 32,20
- Ganho: ilimitado na alta (call); grande, mas tecnicamente limitado na baixa (put — o preço do ativo não cai abaixo de zero, então o teto é o strike menos o débito pago)
Quando essa estratégia faz sentido
O straddle é mais usado quando a expectativa é de um movimento forte, mas a direção é incerta — por exemplo, antes de um evento que costuma gerar volatilidade (divulgação de resultado trimestral, uma decisão relevante de mercado). Faz menos sentido montar um straddle esperando estabilidade — nesse cenário, o tempo trabalha contra a estrutura, não a favor.
Vega positivo, Theta negativo
Em termos de gregas, o straddle comprado é o espelho do Iron Condor: tem Vega positivo (um aumento na volatilidade implícita valoriza as duas pernas, mesmo sem o ativo se mover) e Theta negativo (a passagem do tempo corrói o valor das duas opções compradas, especialmente perto do vencimento). Como as duas pernas são compradas no dinheiro (ATM) — onde o valor extrínseco é maior — o desgaste do Theta é dobrado em relação a uma opção só, e fica mais crítico nos últimos 30 dias de vida do contrato. Veja mais sobre essas gregas em Gregas de forma simples.
Timing de entrada em eventos: fugindo da armadilha do vol crush
Um erro recorrente é comprar um straddle na véspera de um evento conhecido (divulgação de balanço, por exemplo): mesmo que o mercado se mova como esperado, se esse movimento já era antecipado, a volatilidade implícita cai bruscamente depois do anúncio (o chamado crush de volatilidade) — e essa queda pode anular boa parte do ganho esperado, mesmo com um movimento de preço relevante.
Uma alternativa usada por operadores mais experientes: montar a posição semanas antes do evento, capturando a elevação gradual da volatilidade durante o período de expectativa, e encerrar a posição antes do anúncio oficial — em vez de segurar o straddle durante o evento em si.
Straddle vs. Strangle
Uma variação do straddle é o strangle, que usa strikes diferentes pra call e put (ambos fora do dinheiro, em vez do mesmo strike no dinheiro) — geralmente mais barato de montar, mas exigindo um movimento ainda maior do ativo pra começar a dar lucro. Veja a comparação completa em Strangle.
Straddle vendido: o espelho de risco elevado
É possível também vender um straddle (vender a call e a put no mesmo strike), invertendo a lógica: ganha se o ativo ficar parado, perde se ele se mover forte pra qualquer lado. É o espelho exato do straddle comprado — mesmo strike, mesmos pontos de equilíbrio, mas o gráfico vira de cabeça pra baixo.
Exemplo numérico: usando os mesmos números do exemplo anterior, só que na ponta vendida — venda da call de strike R$ 30,00 por R$ 1,20 e da put de mesmo strike por R$ 1,00, recebendo o crédito total.
- Crédito total recebido: (R$ 1,20 + R$ 1,00) × 100 = R$ 220,00
- Ganho máximo (se PETR4 fechar exatamente em R$ 30,00): R$ 220,00 — as duas opções expiram sem valor
- Perda: ilimitada na alta (call vendida); grande, mas tecnicamente limitada na baixa (put vendida — o preço do ativo não cai abaixo de zero)
Essa versão tem risco muito elevado nas duas direções — ilimitado na alta e limitado, mas potencialmente devastador, na baixa — não é recomendada sem uma trava de proteção (o que, aliás, é uma das ideias por trás do Iron Condor).
Uma referência de gestão pra quem monta a versão vendida: considerar encerrar a posição ao atingir entre 25% e 50% do lucro máximo potencial, em vez de esperar o vencimento — e, se o mercado testar um dos lados antes disso, uma técnica de ajuste é rolar o lado que não foi testado pra mais perto do preço atual, coletando um crédito adicional (a mesma técnica já mencionada no Iron Condor).
Executando as duas pernas ao mesmo tempo
Assim como em qualquer estrutura de múltiplas pernas, montar a call e a put separadamente cria o risco de "perna solta" — se o mercado se mover entre o envio de uma ordem e da outra, você pode acabar só com uma das pontas executada. Quando disponível, uma ordem estruturada que envia as duas pernas simultaneamente evita esse risco.
Custos de duas pernas
Assim como qualquer estrutura de múltiplas pernas, o straddle paga tarifa da B3 duas vezes na montagem, e mais duas vezes se for desmontado antes do vencimento. Vale considerar esse custo, especialmente em operações de curto prazo montadas perto de eventos específicos. Mais detalhes em Quanto custa operar opções na B3.
Perguntas frequentes
- Straddle é uma aposta de alta ou de baixa?
- Nenhuma das duas — é uma aposta em movimento, não em direção. O straddle comprado ganha se o ativo se mover bastante, seja para cima ou para baixo. O que faz perder é o ativo ficar parado.
- Qual é a perda máxima do straddle comprado?
- O débito total pago (a soma dos prêmios da call e da put), que ocorre se o ativo fechar exatamente no strike no vencimento — nesse caso, as duas opções expiram sem valor.
- Existe limite pro ganho do straddle?
- No lado de alta, não — se o ativo subir muito, o ganho da call comprada é ilimitado. No lado de baixa, o ganho é grande, mas tecnicamente limitado: o preço do ativo não pode cair abaixo de zero, então o ganho máximo da put comprada é o strike menos o débito pago, não um valor infinito.
- Quando faz sentido montar um straddle?
- Quando a expectativa é de um movimento forte, mas a direção é incerta — por exemplo, antes de um evento com potencial de gerar volatilidade (divulgação de resultado, decisão relevante). Faz menos sentido se a expectativa é de estabilidade, já que o straddle perde valor com a passagem do tempo.
- E o straddle vendido, quando faz sentido?
- No cenário oposto: quando a expectativa é de estabilidade, não de movimento. O straddle vendido ganha o crédito recebido se o ativo ficar parado, mas tem risco muito elevado se o movimento for forte pra qualquer lado — ilimitado na alta, e limitado (mas potencialmente devastador) na baixa — por isso costuma ser usado com alguma forma de proteção, não a descoberto.
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Equipe Editorial Portal das Opções
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